Mais um poema - um dos meus autores favoritos

Cet amour
Si violent S
i fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blémir
  Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entire
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelles
Et qui n’a pas change
Aussi vraie qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivante que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi j’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Là où tu es
Là où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids B
eaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie B
eaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.

PAROLES, Jacques Prévert (1900-1977)

(Tradução)

Este amor
Tão violento
Tão frágil
Tão terno
Tão desesperado
Este amor
Belo como o dia
E mau como o tempo
Quando há mau tempo
Este amor tão sincero
Este amor tão calmo e sereno
Tão feliz Tão jovial
E tão pobre
Trémulo como uma fagulha na escuridão E tão seguro de si mesmo
Como um homem tranquilo no mais fundo da noite
Este amor que assusta os demais
Que os faz falar
Que os faz empalidecer
Este amor vigiado
Porque nós o vigiamos
Acossado ferido chicoteado destroçado negado olvidado
Porque nós o acossamos ferimos chicoteamos destroçamos negamos olvidamos
Este amor íntegro
Tão vivo até agora
E pleno de sol
É o teu
É o meu
Esse que foi
Este algo sempre novo
E que não mudou
Tão verdadeiro como uma planta
Tão trémulo como um pássaro
Tão cálido tão vivo como o verão
Ambos podemos juntos
Nos distanciar e retornar
Esquecê-lo
E depois dormirmos
Despertarmos padecemos envelhecemos
Dormirmos de novo
Sonhar com a morte
Despertarmos sorrimos e rimos
E rejuvenescer
Nosso amor segue ali
Obstinado como uma mula
Vivente como o desejo
Cruel como a memória
Absurdo como o arrependimento
Terno como as recordações
Frio como o mármore
Belo como o dia Frágil como um menino
Nosso amor nos olha sorrindo
E nos fala sem dizer nada
E eu o escuto trémulo
E grito
Grito por ti
Grito por mim
E te suplico
Por ti por mim por todos os que se amam
E os que se amaram
Sim grito-lhe
Por ti por mim e por todos
Os que não conheço
Fica Não te mexas
Não vás
Nós os que somos amados
Esquecemos-te
Mas não nos esqueças tu
Só te temos a ti no mundo
Não permitas que nos tornemos indiferentes
Cada vez mais longe
E desde onde sejas
Dai-nos sinais de vida
Muito mais tarde desde o recanto de um bosque
Na selva da memória
Surge de repente
Estende-nos a mão
E salva-nos

Entre nós

Entre nós e as palavras há metal fundente entre nós e as palavras há hélices que andam e podem dar-nos morte violar-nos tirar do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes espaços cheios de gente de costas altas flores venenosas portas por abrir e escadas e ponteiros e crianças sentadas à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós e outras, frágeis, que deixaram de esperar há palavras acesas como barcos e há palavras homens, palavras que guardam o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente, as mão e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos palavras que nos sobem ilegíveis à boca palavras diamantes palavras nunca escritas palavras impossíveis de escrever por não termos connosco cordas de violinos nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar e os braços dos amantes escrevem muito alto muito além do azul onde oxidados morrem palavras maternais só sombra só soluço só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

-Mário Cesariny de Vasconcelos-

I like my body when it is with your body


I like my body when it is with your body.
 It is so quite a new thing.
Muscles better and nerves more.
I like your body.
 I like what it does.
I like its hows.
I like to feel the spine of your body and its bones, and the trembling-firm-smoothness and which I will again and again and again kiss, plus I like kissing this and that of you,
i like slowly stroking the, shocking fuzz of your electric fur, and what-is-it comes over parting flesh...
and the eyes big love-crumbs, and possibly
I like the thrill of under me you so quite new
e.e. cummings

Ainda bem que existes...

Said I many times, love is illusion,
a feeling result of confusion with knowing smile and blasé sigh, a cynical so and so, am I.
I feel so sure, so positive, so utterly unchangeably certain though
 I never was aware of loving you 'til suddenly
I realised there was love in you and oh...

In this world of ordinary people
Extraordinary people
I'm glad there is you
In this world of over-rated pleasures
Of under-rated treasures
I'm so glad there is you
I live to love,
 I love to live with you beside me
This role so new,
I'll muddle through with you to guide me
In this world where many, many play at love
And hardly any stay in love
I'm glad there is you
In this world where many, many play at love
And hardly any stay in love
I'm glad there is you
More than ever, I'm glad there is you
...................................... Foi escrita em 1947 por Jimmy Dorsey e Paul Madeira.

 Embora a minha versão favorita seja da Ella Fitzgerald, ouçam esta:

O teu amor é a minha casa


Regresso devagar ao teu
Sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
 Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro.
 Devagar gosto de ti e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no amor como em casa.

Manuel António Pina

Se eu não tivesse amor, nada seria

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse
Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
 E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria.
 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria.
O Amor é paciente, é benigno;
o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade.
 Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha.
Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.

Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios Imagem: The Kiss - Gustav Klimt

Sabedoria Budista

"A Vida não é uma pergunta a ser respondida. É um mistério a ser vivido."

“Um amigo falso e maldoso é mais temível que um animal selvagem; o animal pode ferir o seu corpo, mas um falso amigo irá ferir a sua alma.”

“A sua tarefa neste mundo é descobrir qual o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele.”

“Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.”

“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”

"Uma pessoa que mantém a atitude sincera de aprender sempre é um sábio que avança pela grande estrada da justiça, combatendo a arrogância e ambições."

“Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar a alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.”
“Se fosse possível observar claramente o milagre de uma única flor, toda a nossa vida se transformaria.”

“A própria vida é o mais alto precioso de todos os tesouros do universo. Mesmo os tesouros do universo inteiro não podem igualar ao valor de uma única vida humana. A vida é como uma chama, e o alimento como o óleo que a permite queimar."
Foto: Flor de Lótus - www.olhares.com

Você é linda

(Para a Ema e todas as pessoas "lindas" da minha vida)
Fonte de mel
Nuns olhos de gueixa Kabuki, máscara
Choque entre o azu
l E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté Areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer
Você é linda E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz…

Caetano Veloso
http://www.youtube.com/watch?v=W6H_4YAF4zI&feature=related

As meninas... (para a minha, que está quase a chegar)

As meninas são todas como eu:
A guardar astros que serão bordados,
A recolher os olhos deslumbrados
Depois de uma viagem pelo Céu.
E vestem blusas para esperar a tarde
Que há-de surgir ao fundo da vereda
E crispam dedos de sonhar a seda
Que a tarde trouxe e na cantiga arde
Fincam os braços no chão do parapeito
E debruçam o corpo para a lua
E temem vultos negros pela rua
E sentem fogo a iluminar-lhe o peito
E deitam-se nas camas encantadas
E olham luar correndo nas campinas
E são felizes porque são meninas
E porque a vida as vai fazer mudadas…
Natércia Freire, Antologia Poetica
"...To the eyes of the man of imagination
nature is imagination itself."
William Blake
Foto: Serra da Estrela, Dezembro de 2007

O tempo

O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. eram os teus olhos, labirintos de agua, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas arvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
José Luís Peixoto
Há pessoas que choram por saberem que as rosas têm espinhos; outras há que sorriem por saberem que os espinhos têm rosas. (Autor desconhecido)

A felicidade não é uma estação de chegada, mas um modo de viajar. (M. Ruberck)

Fever

Provavelmente uma das minhas canções favoritas
Never know how much I love you
Never know how much I care
When you put your arms around me
I give you fever that's so hard to bare
You give me fever
When you kiss me
Fever when you hold me tight
Fever In the morning
Fever all through the night
Sun lights up the day time
Moon lights up the night
I light up when you call my name
And you know i'm gonna treat you right
You give me fever
When you kiss me
Fever when you hold me tight
Fever
In the morning
Fever all through the night
Everybody’s got the fever
That is something you all know
Fever isn’t such a new thing
Fever start long ago
Romeo love Juliet
Juliet she felt the same
When he put his arms around her
He said Julie baby you’re my flame
Now give me fever
When were kissing
Fever with that flame in you
Fever I'm on fire
Fever yeah I burn for you
Captain Smith and Pocahontas
Had a very mad affair
When her daddy tried to kill him
She said daddy oh don't you dare
He gives me fever
With his kisses
Fever when he holds me tight
Fever I'm his misses
Daddy won't you treat him right

Now you listened to my story
Here's the point that I have made
Chicks were born to give you fever
Be it fair and have a sense of game
They give you fever when you kiss them
Fever if you really learned Fever
Till you’re sizzling
But what a lovely way to burn
But what a lovely way to burn
But what a lovely way to burn
But what a lovely way to burn

Peggy Lee

Um coração de sangue (o teu)

Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chã
o Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença
Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás- Peço um coração
Nuclear

Daniel Faria de Explicação das Árvores e de Outros Animais (1998)

O Ladrão de Versos

"Uma gargalhada do meu filho rouba-me um verso. Era, se não erro, um verso largo, enxuto e musical.
Era bom e certeiro, acreditem esse verso arisco e difícil, que se soltara dentro de mim.
Mas o meu filho riu e o verso despenhou-se no cristal ingénuo e fresco desse riso.
Meu Deus, troco todos os meus versos mais perfeitos pelo riso antigo e verdadeiro de meu filho. "
Rui Knopfli

Um livro que eu adorei...

“Leva-me contigo. Quero um amor condenado. Quero ruas à noite, vento e chuva, ninguém a saber onde estou.”

“Quantas vezes, depois disso, ela se perguntara o que poderia ter acontecido se tivesse tentado continuar com ele, se tivesse retribuído o beijo de Richard (…), partido com ele para qualquer lado (…). Não poderiam ter descoberto alguma coisa…maior e mais estranha do que aquilo que tinham? É impossível não imaginar esse outro futuro recusado (…). Ela poderia, pensa, ter entrado noutro mundo. Podia ter tido uma vida tão intensa e perigosa como a própria literatura. (…) Aventura-te mais no amor (…). Mesmo assim, há o sentimento de oportunidade perdida. Talvez nunca haja nada que possa igualar a recordação de terem sido jovens juntos. Talvez seja tão simples como isso (…). Parecera o começo da felicidade, e às vezes, passados mais de trinta anos, ela ainda se sente chocada ao dar-se conta de que foi felicidade, de que toda a experiência se encontra num beijo e num passeio, na previsão de um jantar ou de um livro. O jantar foi, entretanto, esquecido (…). O que continua a viver, intacto, na memória de Clarissa, decorridas mais de três décadas, é um beijo no crepúsculo, num retalho de erva seca, e um passeio à volta de uma lagoa, enquanto zumbiam mosquitos no ar que escurecia. Ainda permanece essa perfeição singular, e é perfeição, em parte, porque pareceu, na altura, prometer tão claramente mais. Ela sabe agora: esse foi o momento, exactamente esse. Não houve nenhum outro. “

“Sim (…), já é tempo de o dia acabar. Damos festas, abandonamos as nossas famílias para vivermos sós no Canadá, batalhamos para escrever livros que não mudam o mundo, apesar das nossas dádivas e dos nossos imensos esforços, das nossas absurdas esperanças. Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que quer que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos: um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença, ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras muito mais negras e difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais. Só Deus sabe porque amamos tanto isso.”

Michael Cunningham, As Horas

A sweet lullaby

A sweet lullaby
There is no one
That knows me so well
I know she’s the one
Who really cares I feel her inside
Like a part of myself
I feel she’s so strong I hardly can tell
So many years Just passing by
And she’s still here again
Right by my side
I know her so well I like when she smiles
A frame of her skin
It brings a glimpse of her eyes
The sound of her voice
Has hold me so tight I whisper
A sweet lullaby
We’ll still be here
In long coming years
We’ll be facing
The way that comes near
If there comes a river
Into our lives
We will be strong enough
To turn off the tide

Lulla Bye, One way (2008)
(Para a Tia S.)

São Leonardo da Galafura

lugares assim. Que se nos prendem à alma Já vi este lugar ao nascer do sol. Já vi este lugar ao pôr-do-sol. Já o vi triste, alegre, desiludida, eufórica, deprimida, extasiada, apaixonada, ébria, sóbria… E este lugar sempre permaneceu o mesmo: imensamente belo. Eterno. Imortal. Com cheiro a paz, mosto, maturidade, em estado puro, supremo, celestial. Este lugar sempre surgiu aos meus olhos no seu estado mais natural e verdadeiro. Beleza absurda e absoluta, excessiva. O rio a espelhar todas as angústias, alegrias e momentos da condição humana. Tenho que te levar lá, Ema.

"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor pintou ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis de visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."
Miguel Torga, Diário XII


São Leonardo da Galafura
À proa dum navio de penedos,
  A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.
Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!


Miguel Torga

O amor é ruído...

Will those feet in modern times
Walk on soles that are made in China?
Feel the bright prosaic malls
In the corridors that go on and on and on
Are we blind - can we see?
We are one - incomplete
Are we blind -
 In the shade Waiting for lightning - to be saved
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again Will those feet in modern times
Understand this world's affliction
Recognise the righteous anger
Understand this world's addiction?
I was blind - couldn't see
What was here in me
I was blind - insecure
I felt like the road was way too long, yeah
Cause love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise and love is pain
Love is these blues that I'm singing again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again....
Cause love is noise, love is pain
Love is these blues that you're feeling again
Love is noise, love is pain
Love is these blues that I'm singing again, again, again
Will those feet in modern times
  Walk on soles made in China?
Will those feet in modern times
See the bright prosaic malls?
Will those feet in modern times
Recognise the heavy burden
Will those feet in modern times
Pardon me for my sins
Love is noise
Come on

Amigos...

" Para um amigo tenho sempre um relógio esquecido em qualquer fundo da algibeira. Mas esse relógio não marca o tempo inútil. São restos de tabaco e de ternura rápida. É um arco-íris de sombra,quente e trémulo. É um copo de vinho com o meu sangue e o sol. "
António Ramos Rosa, Viagem através duma Nebulosa(1960)

Mãe

"mãe, cada palavra que me ensinaste repete mil vezes o teu nome." "mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo. eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são todas as estrelas que existem." José Luís Peixoto
A Casa, a Escuridão

Estas dentro de mim, Ema

Enquanto estiveres cá dentro Tenho o céu, os cometas abstractos, O espelho de todas as coisas harmoniosas. Cá dentro há ruídos de mel e pele de cetim Há um céu azul com nuvens de algodão açucarado E um arco-íris de borboletas exótica Um mar de peixes que se movem num azul De mar, pérolas e pele. Há um museu de relíquias antigas, Estórias que as gerações passaram entre si, Muitas vezes estranhamente reais, Outras tão ilusórias e verosímeis quanto os contos de fada. Cá dentro todas as pérolas do universo, A magia aveludada dos teus passos de anjo E um amanhecer de harmonia e bondade. Há também emoções súbitas, Mantras de exaltação e de mistério. Há um céu de paisagens verdes, Pétalas vermelhas de flores exóticas. Orvalho adormecido. Praia. Planta. Mar. Fruto que amadurece em mistérios acetinados, Viajam neste líquido os teus olhos de flor As tuas mãos sorridentes de pétala, O teu ser transparente de musa eterna, Colchão de água macia Que todo o meu ser acaricia. Tudo isto, princesa, Enquanto te tiver cá dentro.

Gosto de espreitar o teu sono de criança

"Gosto de espreitar o teu sono de criança, à noite, quando dormes alheia a tudo, e eu fico a ouvir a tua respiração e a alisar os teus cabelos. Às vezes, chego a pensar que é um desperdício ir dormir, em lugar de ficar a ver-te dormir, porque o tempo voa e em breve já não serás criança. Nestas noites, como diz a lei, tenho-te à minha "guarda", o que é um prazer insubstituível e a que alguns chamam direitos e outros chamam deveres. Gosto de acordar de manhã, quando, ainda antes do despertador tocar, oiço o som do Canal Panda na sala, e fico a saber que tu já acordaste e que segues à risca o ritual estabelecido, e que a seguir irás fazer o teu pequeno-almoço e vestires-te para a escola. Mas, apesar disso, gosto de te recomendar que faças tudo isso e não te esqueças de lavar os dentes, sabendo que não te esqueces mas também gostas de ouvir-me dizer-to, porque essa é uma forma de saberes que te "guardo". E embora eu saiba que não há carros à vista quando tu atravessas a rua para a porta da escola, vou contigo de mão dada, para que sintas ou para que eu finja para comigo mesmo que continuo a guardar-te até que a porta nos separe e outros fiquem contigo. Porque há sempre uma porta que se fecha e que nos separa, ao contrário da casa, onde a porta do teu quarto e a do meu estão sempre abertas. Há sempre esta porta que se fecha sobre ti, outros que te falam e te escutam, enquanto eu caminho na tua ausência e na lembrança da tua voz, outros que sabem de ti o que eu ignoro, outros que por vezes se cansam de ti enquanto eu só te espero, outros que te vêem e te tocam enquanto eu olho as tuas fotografias espalhadas pela minha vida. Tão perto e tão longe de ti. Tão fundo e tão ausente. Tantas esperanças. Tantos anos, tantos danos. Fecho os olhos e sonho. Tu caminhas comigo, de mão dada, num campo onde não há mais ninguém, e procuramos musgo e pinhas. Há uma gruta num pequeno bosque de que eu finjo não conseguir nunca encontrar a entrada sem ti. É o nosso segredo e lá estaremos protegidos do mundo e dos seus males e perigos. Entro por aí contigo. Adormeço e para sempre viverei contigo nesta gruta. E és tu então que me proteges."
Mais um excerto do livro Não te Deixarei Morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares

Musa de amar

ama como se pudesses amar a minha própria forma na forma de outra mão, a que desejares na forma de outra mão ama como se pudesses amar assim outra forma na minha a mão abre-se e é vem a mão abre-se e é tua ama como se ama como se
Daniel Jonas, Kiss Mix