Tinha para ti uma carta de areia,
restos de Agosto em palavras de luz,
pequenas letras mágicas, desmedidas
que ficaram das maresias soltas
e do teu rosto de menina doce
a chamar-me do vento.
Tinha para ti um pedaço de tempo,
um rosto grego de estátua perfeita, uma canção
eufórica vinda dos dias nascidos do mar,
da minha voz macia que arde e que te canta,
presa ao som das algas coladas à areia,
onde secam, perdidos, os meus olhos.
Para ti, a alma de azul
e qualquer coisa mais
que escrevi na areia como se fosse eterna.



