U2 - I Believe In Father Christmas

"They said there'll be snow at Christmas
They said there'll be peace on Earth
But instead it just kept on raining
A veil of tears for the Virgin's birth
I remember one Christmas morning
A winters light and a distant choir
And the peal of a bell and that Christmas
Tree smell
And their eyes full of tinsel and fire
They sold me a dream of Christmas
They sold me a Silent Night
And they told me a fairy story
'Till I believed in the Israelite
And I believed in Father Christmas
And I looked at the sky with excited eyes
'Till I woke with a yawn in the first light of dawn
And I saw him and through his disguise
I wish you a hopeful Christmas
I wish you a brave New Year
All anguish pain and sadness
Leave your heart and let your road be clear
They said there'll be snow at Christmas
They said there'll be peace on Earth
Hallelujah
 Noel be it Heaven or Hell
The Christmas you get you deserve. La la la la la la la la la la.... "


http://www.youtube.com/watch?v=4jgswWMlUN8 Feliz Natal!

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos.
Para isso temos braços para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrela a apagar-se na treva,
Um caminho entre dois túmulos.
Por isso precisamos vela,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte.
De repente, nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem:
Da morte apenas nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes

Cantiga

Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.
Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.
Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.
À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.

João Cabral do Nascimento

Navegar


Não conhece a arte de navegar
Quem nunca navegou no ventre
De uma mulher, remou nela,
Naufragou
E sobreviveu numa das suas praias…
Cristine Peri Rossi

Neve (que saudades...)

“A neve pôs uma toalha calada sobre tudo. Não se sente senão o que se passa dentro de casa. Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar. Sinto um gozo de animal e vagamente penso, E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo."
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Foto: a terra da mamã, enviada pelo tio P.

Para a minha "beautiful girl"

"Close your eyes,
Have no fear,
The monsters gone,
He's on the run and your daddy's here,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Before you go to sleep,
Say a little prayer,
Every day in every way,
It's getting better and better,
Beautiful, Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Out on the ocean sailing away,
I can hardly wait,
To see you to come of age,
But I guess we'll both,
Just have to be patient,
Yes it's a long way to go,
But in the meantime,
Before you cross the street,
Take my hand,
Life is just what happens to you,
While you are busy making other plans,
Beautiful, Beautiful,
 beautiful, Beautiful Boy,
Darling, Darling, Darling Sean. "
John Lennon, "Beautiful boy" ("A vida é aquilo que acontece contigo enquanto estás ocupado a fazer outros planos")

canção de embalar

"No teu passo suave e quase alado deixaste-me com a tua voz que tece em solidão e madrugadas o meu estar, tu, que acaso em voo desatado vais sem medo além da dor da carne em sangue a deslaçar-se, dá-me a tua mão para ninar a noite com palavras ternas e secretas que encantam o silêncio povoado por novas dum espaço que em vida se medita, com suas paisagens que se alargam no olvido arborizadas, diz-me que sonho trará de volta tua alma e corpo intactos por mais que ardam os fogos na noite, corram a lua e os astros todos desfraldados em palidez numa demanda tua, noite cega com o dia agrilhoado na cintura, noite em que não vens com teu passo suave e alado aninhar no meu o teu corpo, enseada desenhando-se na penumbra, molhar com uma palavra os lábios onde outra dos nossos nomes nascia (olhar-te nos olhos de um azul como só há no céu pelas manhãs claras de querer-te muito), mais que neve ou a espuma das ondas a marulhar em nossas bocas, quando todo tu eras beijo demorado e a face iluminava-se num convite à partida para o longe que nunca nos doía, ambas as mãos no volante pousadas, porque desamado fui eu em tua dor, canta para embalares com a tua guitarra a noite e o sono irreparáveis."


Paulo Teixeira In Autobiografia Cautelar, Gótica, 2001

A paixão da carne

Envolto em toalhas
Frias, pego ao colo
O corpo escaldante.
Tem apenas dois anos
E embora não fale
Sorri com doçura.
É Pedro, meu filho
Sêmen feito carne
Minha criatura
Minha poesia.
É Pedro, meu filho
Sobre cujo sono
Como sobre o abismo
Em noites de insónia
  Um pai se debruça.
Olho no termómetro:
Quarenta e oito décimos
E através do pano
A febre do corpo
Bafeja-me o rosto
Penetra-me os ossos
Desce-me às entranhas
Húmida e voraz
Angina pultácea
Estreptocócica?
Quem sabe... quem sabe...
Aperto meu filho
Com força entre os braços
Enquanto crisálidas
Em mim se desfazem
Óvulos se rompem
Crostas se bipartem
E de cada poro
Da minha epiderme
Lutam lepidópteros
Por se libertar.
Ah, que eu já sentisse
Os êxtases máximos
Da carne nos rasgos
Da paixão espúria!
Ah, que eu já bradasse
Nas horas de exaltação os mais lancinantes
Gritos de loucura!
Ah, que eu já queimasse
Da febre mais quente
Que jamais queimasse
A humana criatura!
Mas nunca como antes
Nunca! nunca! nunca!
Nem paixão tão alta
Nem febre tão pura.
Vinicius de Moraes

Amor...

"O amor cerra os olhos, não para ver mas para absorver: a obscura transparência, a espessura das sombras ligeiras, a ondulação ardente: a alegria. Um cavalo corre na lenta velocidade das artérias. O amor conhece-se sobre a terra coroada: animal das águas, animal do fogo, animal do ar: a matéria é só uma, terrestre e divina. " António Ramos Rosa, Três Lições Materiais (1989)