You made me a mother

I felt you. You were a pea. Then a lemon. Then an eggplant. I followed advice. I read twelve books. I quit coffee.
Could you tell I was scared?
I talked to you, sang to you... I wasn't ready.
But then you were here. Ten toes. Eight pounds. Love. Big fat love.
I held you. I fed you. I realized that I would spend my life doing things to make you happy and that that would make me happy.
And then there are the times I want to give up. You've made me rethink my sanity. You've made me want to fall on my mother's feet and tell her that I get it.
But then you smile and you say my name - and you grab my hand with those little fingers.
We're growing together. We are seeing the world like it's new. I will open my heart and love will rain down all over you. You'll giggle, and I'll do it all over again. And we will walk hand in hand. Until you let go.
I made you, but you made me a mother.
 https://www.youtube.com/watch?v=gZq62c82-h4

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto-
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

... Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis

Segue o teu destino


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

(...)

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in "Odes"


Paraíso Perdido

É o bibe é a trança
a lisura da anca
a doçura da pele a pastel de nata

Os dedos erguidos num aceno
de esperança
o sonho onde o lince lhe devora a ilharga

É a mãe sem saber
quanto o belo lhe pesa
a avó a arranjar o pão com marmelada

O sino que ao longe
diz da missa e da reza
na igreja onde sempre entrará aterrada

É a gola de renda a picar
no pescoço
o livro lido às escondidas

As histórias escritas no caderno
e o osso
do corpo voraz onde a vida se afirma

É o medo do escuro
porque o quarto vacila
uma noz uma nau no peito em alvoroço

A paixão de organdi
quando a rosa retira
o espinho envenenado do avesso suposto

É o gosto do verso
seduzindo a insónia
alinhavo da alma com bastante amargura

O sabor derramado
a gardénia e no bolso
o cheiro a glicínia ou a coisa nenhuma

É o nervo à flor
de um suor resguardado
debaixo dos braços ou então nas virilhas

Os pulsos estreitos
os joelhos suaves
frutos de uma magreza talvez doentia

É a história inventada
que a culpa condena
o poço da morte só de madrugada

A febre que a toma
e valseia com ela
a aperta nos braços e a deixa quebrada

É o som e o susto
a torpeza do hálito
a lâmina furtiva onde o gesto se afia

A cicatriz da fuga
porque o fio vem doendo
fazendo-a teimar como quem desafia

É o suco o vacilo
o caroço do cuspo
na palma das mãos que o tempo confirma

O sol da manhã a acordá-la de súbito
fazendo-a recordar tudo aquilo
que queria

É o extremo vagar que a memória conhece
mais tarde o abandono
a deixá-la sozinha

Paraíso perdido
com a pressa onde cresce
a tornar-se mulher sendo ainda menina


 Maria Teresa Horta

Não vivo sem vós,...



Não quero viver sem ti
mais nenhum tempo.
Nem sequer um segundo
do teu sono.
Encostar-me toda a ti
eu não invento.
Tu és a minha vida
o tempo todo.



Maria Teresa Horta

A Regra Fundamental de Vida


Quando nós dizemos o bem, ou o mal... há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação... No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades... Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.

 José Saramago, in "Revista Diário da Madeira, Junho 1994

Puppy love...

A minha Ema adora cães...
“Cada vez que um cachorro novo entra na minha vida, abençoa-me com um pedaço do coração dele. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de cachorro, então eu me tornarei tão generosa e cheia de amor como eles.”
Como disse o meu irmão: quando eles entram na nossa vida, estamos a preparar a sua despedida!
Enquanto isso não acontece...

 Sejas bem -vindo à minha família, cachorro lindo! Que tragas tanta alegria à nossa vida como o primeiro!

(foto tirada da net)

O que é um filho...

"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

 José Saramago