Natal



Acontecia.
 No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda. Uma festa.
 Palavras a saltar.
(...)
Na tua boca. No teu rosto.
 No teu corpo acontecia.
No ritmo dos teus ritos.
No teu sono. Nos teus gestos.
Nos teus gritos.
 Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos.
Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
(...)
Natal, natal, diziam. E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
Manuel Alegre

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